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Quem foi Carlos Marighella?

  • Foto do escritor: Nathalin Gorska
    Nathalin Gorska
  • 1 de set. de 2024
  • 2 min de leitura

Documentário de Isa Grinspum faz viagem à vida do revolucionário brasileiro


Capa do documentário Marighella
'Marighella' (2012) - Divulgação/Netflix

Lançado em 2012, o documentário "Marighella" foi inspirado pela curiosidade de Isa Grinspum e um segredo de infância: o tio Carlos, conhecido por suas visitas, era, na verdade, o militante político Carlos Marighella. 


De família italiana por parte de pai, e Malês, por parte de mãe, Carlos esteve desde sempre envolvido em questões sociais, mas começou a se engajar nos movimentos de forma mais intensa após entrar na faculdade de engenharia civil, a qual abandonou mais tarde para seguir na militância.


A narrativa da vida de Marighella é contada não só por documentos, mas também através de seus companheiros, que participaram das inúmeras articulações realizadas em defesa da democracia. Entre eles, Clara Charf, militante do partido comunista e companheira de Carlos. 


A diretora, que por vezes atua como narradora, leva o espectador a uma viagem investigativa sobre quem foi, de fato, Carlos Marighella, e para isso, cria uma linha cronológica que traça os pontos mais importantes da história de seu tio. Além disso, explora tanto os aspectos públicos quanto íntimos de sua existência. Marighella, um homem de múltiplas facetas – político, poeta, amante de samba e futebol – tornou-se a maior figura da resistência contra a ditadura militar brasileira.


Deputado pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro), Marighella é um dos precursores do Comunismo Baiano de 1930 e defendia que a revolução do Brasil não deveria ser feita seguindo modelos externos, mas sim com as características e essência do povo brasileiro.


Com base em jornais e documentos, "Marighella" também mostra a forma que os comunistas brasileiros eram retratados na década de 30 e, posteriormente, na ditadura civil-militar de 1964. Ao todo, passou 7 anos na prisão, e, além de contribuir com o lado teórico da revolução, Carlos escreveu cartas que serviram como material histórico, para desvendar as torturas que os "subversivos" eram acometidos.


É fato que o trabalho realizado por Isa Grinspum, fez o que a esquerda brasileira tentava há anos fazer: mostrar quem foi Carlos Marighella além da política. A narrativa é construída através de relatos íntimos e emocionantes sobre as ações de um líder, marido, amigo e pai. Taxado pela direita como terrorista, assim como na ditadura, quando era inimigo número um do regime, Marighella, ao mesmo tempo que ocupa um lugar de destaque, é também desconhecido por grande parte dos brasileiros. 


A produção de Grinspum se fez, e ainda faz necessária em um cenário de democracia frágil que assola o Brasil. Assim como em 1937, com Getúlio Vargas, ou em 1964, com a tomada do poder pelos militares, o Brasil continua sofrendo ataques à recente democracia. O oito de janeiro de 2023, serviu como um triste lembrete de que a população brasileira se esqueceu dos horrores realizados durante os golpes de Estado e os anos em que fomos privados de nossa liberdade. 


A história de Marighella, um homem comum que lutou pelo seu país, por suas ideologias e por seus sonhos, será, por anos, necessária em nossa sociedade, e Isa Grinspum sabia disso, assim como Antonio Candido, Carlos Augusto Marighella, Clara Charf e vários outros militantes políticos, que colaboraram para a produção do documentário.

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