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A moda no século XXI: Representatividade ou conveniência?

  • Foto do escritor: Nathalin Gorksa
    Nathalin Gorksa
  • 18 de dez. de 2024
  • 2 min de leitura

Análise feita com base em "Antropologia da Moda", de Filomena Silvano

Gucci Pre Fall 2025 / Reprodução
Gucci Pre Fall 2025 / Reprodução

O século XXI tem sido marcado por um crescente movimento em direção à inclusão social e à valorização da diversidade, com questões raciais e de gênero ganhando cada vez mais destaque. A indústria da moda, tradicionalmente associada a padrões de beleza exclusivos e homogêneos, tem sido palco de intensos debates sobre representatividade.


Entretanto, a inclusão de modelos não brancas demorou a acontecer: a primeira mulher asiática a ser fotografada para a revista Harper's Bazaar foi em 1959. Para mulheres negras, esse tempo foi ainda maior: em 1964, a modelo africana Kesso foi a primeira mulher negra a desfilar, e só em 1965 uma modelo afro-americana foi capa da Harper's Bazaar.


No entanto, o avanço foi gradual e muitas vezes acontecia em decorrência de movimentos sociais mais amplos, como o movimento Black is Beautiful, nos anos 1970.


Não é como se não houvesse modelos negras famosas: Naomi Campbell, na década de 90, estava entre o círculo de modelos mais importantes da época, mas era claramente uma das exceções. Outro fator que podemos levantar ao analisarmos não só o mundo da moda, mas o pop em geral, é a necessidade de narrativas que envolvam seus corpos. “O fato de as manequins negras serem frequentemente associadas a narrativas que descrevem vidas invulgares revela a excepcionalidade que os seus corpos ainda representam no mundo da moda” (SILVANO, 2021, p. 163).


Histórias vendem, e, quando ligadas a uma personalidade envolvente, se tornam aquilo que a indústria deseja: uma personagem com jornada do herói, da pobreza ao estrelato.


Ainda que grandes marcas, como Nike e Gucci, tenham se posicionado publicamente em apoio aos movimentos antirracistas que surgiram, o questionamento sobre o verdadeiro compromisso da moda com a inclusão racial segue, sobretudo quando a mudança vem após pressões populares. Especialmente após o assassinato de um homem negro pela polícia: “No Verão de 2020, após a morte, no dia 25 de maio, de George Floyd, um cidadão negro americano, por um membro da polícia, as marcas associaram-se, de forma inédita, à mobilização antirracista (mas fizeram-no sobretudo a partir do dia 30 de maio, após uma forte pressão dos consumidores nas redes sociais)”. (SILVANO, 2021, p. 165).


É impossível, após tantos casos isolados de racismo velado, não pensar que uma parte da indústria da moda, assim como a sociedade no geral, se aproveita de movimentos sociais para se autopromover através de políticas criadas para "tapar buracos mais profundos".

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