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A Geek Literária

Atualizado: 30 de abr. de 2024


Com um show de mais de 3 horas de duração, Taylor segurou a atenção total do público e mostrou o motivo de ter esgotado todos os ingressos disponíveis

 



Foto de Stephanie Rodrigues / g1 / Divulgação - Taylor Swift na segunda noite da turnê

Não há espanto quando dizem que os fãs da Taylor Swift a seguem por todos os cantos, independentes dos projetos que a artista aposta. Nos três dias de show, o bairro onde fica localizado o Allianz Parque, em São Paulo, foi transformado. As ruas da Barra Funda foram tomadas por seus admiradores, que fizeram filas quilométricas, que rodeavam não só o local do show, mas as principais avenidas da Zona Oeste.

 

Apesar de ser esperado toda a comoção, que comumente ocorre nos shows, a organização da tour se mostrou incrivelmente despreparada para a enxurrada de fãs que Swift levou ao Allianz Parque. Com filas desorganizadas, muita chuva e fãs no meio da Avenida Francisco Matarazzo, os swifties, nome de fandom da cantora, se mantinham de pé, trocando as pulseiras de amizade e por horas, cantando as músicas que seriam apresentadas no show.

 

A The Eras Tour

 

Com abertura da cantora norte-americana Sabrina Carpenter, Taylor Swift iniciou o show com o ato de Lover, álbum lançado em 2019, com a música Miss Americana and the Heartbreak Prince. Aparecendo no meio dos dançarinos, Taylor se mostra a ícone do pop que é, arrancando gritos e aplausos de seus fãs.

 

Seguindo para o ato de Fearless, segundo álbum de estúdio da cantora, a euforia não é substituída, mas levada mais a fundo, principalmente após a artista admitir que o público do Brasil é seu público dos sonhos.

 

Taylor sabe muito bem como conduzir a multidão que lotava o estádio, além de em todos os momentos, agradecer aos fãs pela presença.

 

Em Evermore (2020), Taylor abaixa o nível de emoção do show, com músicas mais intimistas e calmas, entre elas, Marjorie. A atmosfera se torna ainda mais aconchegante quando os swifties ligam as lanternas de seus celulares, formando a bandeira do Brasil e emocionando ainda mais a cantora.

 

É inegável que a organização do setlist do show foi feita para combinar os diversos estilos de música que a carreira da Taylor aborda, mas em nenhum momento, apesar dos atos mais calmos, a cantora deixa o público esfriar, pelo contrário, é com essa oscilação de ritmos que o show se torna memorável.

 

No ato de Reputation (2017), Swift mostrou ainda mais para que veio. Esse era um dos momentos mais esperados do show, principalmente com a possibilidade do anúncio de regravação do álbum, sendo atualizado para a Taylor's Version. O anúncio não veio, mas isso não foi suficiente para afetar a energia do show.

 

Reputation está entre os álbuns mais ouvidos da Taylor, e a cantora se aproveita do fato para tocar os seus maiores sucessos.

 

Talvez o mais mágico da The Eras Tour não seja somente as músicas e o carisma de Taylor Swift, mas sim a preparação da equipe da artista. Desde os dançarinos, que se destacam em várias partes do show, até a equipe técnica, que consegue transformar as trocas de figurino em verdadeiros espetáculos, o show não passa a visão de algo cronometrado, como visto no documentário "Taylor Swift: The Eras Tour Taylor's Version", disponível na Disney +.


Foto: Getty Images / Divulgação - Taylor Swift em ato "Midnights" da The Eras Tour

Mesmo quando o palco se esvazia, momentos em que Taylor troca o figurino para iniciar o próximo ato, o show não para. Com vídeos que realizam uma verdadeira imersão aos álbuns, é impossível não se encantar pelo que é realizado.

 

Nos atos de Speak Now (2010) e RED (2012), os mais curtos da tour, Taylor apresentou aos fãs os sucessos que a consolidaram ainda mais como estrela do pop que é, entre eles "Long Live", canção que dedicou especialmente aos fãs brasileiros, "22" e "All too Well", na versão de 10 minutos, que se tornou a canção da artista mais aclamada pelos swifties.

 

Em Folklore (2020), o show brilha ainda mais, com atuações emocionantes da cantora, acompanhadas pelo ritmo folk, que Taylor decidiu se arriscar. Já em 1989 (2006), o público é novamente levado ao êxtase com as músicas mais pop da carreira de Swift até então.

 

Para tornar o show ainda mais especial, a artista separa músicas específicas para cada apresentação. As escolhidas para a segunda noite foram "Safe & Sound", que Taylor tocou no violão, um dos momentos mais emocionantes da noite, e "Untouchable", acompanhada pelo piano.

 

Finalizando o show com seu último álbum lançado, Midnights (2022), Taylor apostou em fechar a The Eras Tour com os hits que a levaram a emplacar 10 posições no top 100 da Billboard, como "Anti-Hero" e "Lavender Haze".


A The Eras Tour, sem dúvidas, entrou para um dos eventos mais interessantes que aconteceram no Allianz Parque. A artista principal soube muito bem como manter a atenção do público nas mais de três horas de apresentação. Além disso, o ambiente pré-show vale a pena ser destacado. Apesar da desorganização fora do estádio por parte da empresa responsável, dentro do Allianz Parque havia funcionários instruindo os fãs, além de toda estrutura montada para que não ocorressem acidentes. 


Pontos do Merchandising oficial da The Eras Tour estavam espalhados por diversos setores e também havia bombeiros nas saídas de emergência, além de postos de atendimento e bebedouros disponíveis, uma ação tomada após a morte de Ana Clara Benevides, no show do Rio de Janeiro, no dia 17 de novembro. 


Com as medidas de segurança aplicadas, a equipe da Taylor Swift também se atentou em colocar telões nos setores com visão parcial (ingressos disponibilizados com visão para as laterais do palco), garantindo maior visibilidade para qualquer lugar do estádio, além de equipamentos de som que atendiam e se sobressaíam à multidão de vozes que acompanhava a artista.

 
 
 
  • Foto do escritor: Nathalin Gorksa
    Nathalin Gorksa
  • 21 de mar. de 2024
  • 6 min de leitura

Lançado durante a pandemia do Covid-19, Folklore, é o primeiro álbum Folk da cantora norte-americana Taylor Swift



Capa do álbum Folklore, feita pela fotógrafa Beth Garrabrant
Divulgação / Taylor Swift - Capa do álbum Folklore, feita pela fotógrafa Beth Garrabrant

Na indústria da música desde 2006, Taylor Swift, no início de sua carreira, se apresentava como uma cantora de country-pop, mas com o lançamento de discos como "RED", de 2012 e "1989", de 2014, as composições e o fandom da cantora se definiram como pop.

 

Apesar de seu estilo muito bem definido, que agradava não só os fãs, mas também ouvintes ocasionais, Swift decidiu se aventurar em um novo estilo musical em sua carreira, o folk. Assim nasceu o oitavo álbum de estúdio da cantora, Folklore, escrito e gravado durante a pandemia do Covid-19, no ano de 2020.

 

Em cada lançamento, é esperado que Taylor inove e traga narrativas antes não apresentadas, mas dessa vez, a cantora decidiu ir além da produção de canções. Com a criação de um álbum conceitual, é apresentado aos ouvintes uma sequência de narrativas nas 17 músicas do disco, além do triângulo amoroso entre Betty, Augustine e James.

 

A cantora, na verdade, não inovou ao criar personagens em suas produções. A banda de punk-rock norte-americana Green Day, em 2004, lançou o álbum "American Idiot" que traz o personagem 'Jesus of Suburbia' e o cantor Tyler, The Creator, que apresentou as personas 'Igor', 'Bunny Hop', 'Tyler Baudelaire' e 'Gap Tooth T.', entre outras, já haviam feito abordagens semelhantes em seus discos.

 

Não é pelo fato de tais elementos já terem sido usados, que Folklore tem menos importância. Taylor Swift soube, com maestria, amarrar todos os pontos conceituais de sua obra, o que a levou a receber a estatueta de melhor álbum do ano da 63ª edição do Grammy.

 

Taylor Swift mais uma vez mostra que inovar não é o que faz de um álbum um sucesso, mas sim trabalhar a identidade do artista ao decorrer das canções.

 

O contexto histórico em que Folklore se encaixa faz total sentido com a obra apresentada por Taylor Swift. No meio da pandemia do Coronavírus, a artista montou um estúdio de gravação em sua própria casa, em Los Angeles. O álbum foi criado junto de Jack Antonoff, melhor amigo de Taylor, e Laura Sisk, engenheira de som. A melancolia, presente nas canções, traz para a realidade as dores e anseios de sua criadora, com um resultado conciso e digno de toda a aclamação que recebeu.

 

Sem cometer os erros que foram presentes em seu álbum anterior, Lover (2019), Taylor aborda em algumas de suas letras o relacionamento que teve com Scott Borchetta, mas dessa vez, em uma perspectiva profunda, e que faz jus à melodia leve e aconchegante de Folklore.


Contracapa do álbum Folklore. Na imagem, Taylor Swift
Divulgação / Taylor Swift - Contracapa do álbum Folklore. Na imagem, Taylor Swift está de costas e temos a listagem das músicas presentes em Folklore

Além da maestria de suas músicas solo, Swift acertou no feat. com Bon Iver, a música Exile, e a combinação da voz doce de Taylor, com o grave da banda de folk cria um ambiente ao mesmo tempo de conforto e ansiedade, combinados à letra que acompanha o término de um relacionamento. O teatralismo à la Shakespeare guia o ouvinte aos dois lados de um namoro que chegou ao fim: o culpado e o inocente. Mas é aí que a música adquire ainda mais as características das criações de Taylor: Eles não viram os sinais do desgaste do relacionamento? 

 

Erra quem acredita que Folklore foi apenas mais um álbum da carreira da "princesinha do country". Com visuais arrebatadores, Taylor não trabalha só o lado musical de seus lançamentos, mas se mostra aberta a todas as demandas artísticas que uma produção necessita. Seguindo a identidade visual mais diferente de sua carreira até o momento, a cantora utiliza de fotografias em tons de cinza, para mostrar desde início sobre o que o Folklore aborda em 1 hora e 7 minutos.

 

Classificado como um subgênero do rock, o folk vem aparecendo cada vez mais no cenário musical, principalmente após Taylor apresentá-lo para gerações que não estavam familiarizadas com o estilo. Seja por influência da moda folk, que retornou às passarelas em 2021, com a utilização de franjas, calças flare e chapéus, é notório que o crescimento do estilo musical está cada vez mais presente em grandes composições, que apesar de terem sido lançadas há anos, só se tornaram "mainstream" com a era do Tiktok e após o lançamento de Folklore. The Lumineers, banda norte-americana, que possui canções como 'Ophelia' e 'Cleopatra', de 2016, e Hozier, cantor de 'Take me to Church', de 2013, se fazem cada vez mais presentes, principalmente após o exponencial de streams em 2020.

 

The 1

Abordando a rotina de um antigo amigo, contando histórias sobre sua vida, The 1 possui a musicalidade mais animada de Folklore, mas se destaca por sua profundidade, escondida por trás da letra "divertida" da primeira música do álbum.

 

Cardigan

Cardigan faz parte da narrativa criada por Taylor para contar a história de um relacionamento jovem que não deu certo. É uma das músicas mais baixas e calmas do álbum, mas que traz de forma mais intensa os sentimentos da personagem.

 

The Last Great American Dynasty

Talvez a música mais diferente do álbum, The Last Great American Dynasty, aborda a história de Rebekah Harkness e das festas que costumava dar em sua casa, em tentativas de se integrar com a sociedade da época. Taylor traz a história para mais perto de si ao revelar que comprou a casa de Rebekah.

 

Exile (feat. Bon Iver)

Com uma musicalidade que se diferencia de todo o álbum, Exile está entre um dos destaques apresentados em Folklore. A escolha do grupo Bon Iver foi realizada com grande maestria, trazendo a sutileza das vozes de ambos os artistas combinadas.

 

My Tears Ricochet

Com uma introdução sussurrante, que leva o ouvinte a repeti-la inúmeras vezes, My Tears Ricochet traz consigo uma letra profunda e sentimental sobre um relacionamento que não deu certo e o passado que assombra Taylor.

 

Mirrorball

Mirrorball é sem dúvidas uma surpresa no álbum. Com letras literais e, ao mesmo tempo, digna dos livros de fantasia, Taylor Swift compartilha o desejo de querer dançar em um não tão ritmo dançante.

 

Seven

A mais folk de todo álbum, Seven, é a imersão em uma viagem à infância de Swift e todas as suas memórias de chás no verão, que a cantora aborda e relembra com maestria, mas também dos fantasmas que assombram o seu passado.


August 

Abordando o outro lado do relacionamento (trama central do álbum), temos a visão de uma personagem que viveu um romance rápido de verão, mas que ainda deseja e espera ansiosamente pelas ligações que recebia. Taylor compartilha a ansiedade, medo e esperança de sua personagem, envolvendo os ouvintes de forma emotiva na canção. 

 

This is me Trying

A canção mais "Taylor Swift" do álbum nos leva em uma viagem: uma tentativa de superar os medos, erros e anseios. This is me Trying é uma espécie de carta, que Taylor escreve mostrando que apesar de tudo, ela está tentando superar quem era, fazendo uma conexão com todo álbum.

 

Illicit Affairs

Composta, majoritariamente, por toques no violão, Illicit Affairs aborda a narrativa de uma infidelidade, além das tentativas de manter o caso extraconjugal oculto. A música se caracteriza, assim como Seven, como uma das canções com mais características de folk no álbum.

 

Invisible String

Com influências do pop, já conhecido por Taylor, Invisible String possui uma melodia suave, que bebe também do folk, transformando a composição da música em algo leve, divertido e emocionante, ao mesmo tempo que o violão, que abre a música, aborda uma ideia nostálgica e mágica na canção.

 

Mad Woman

Com toque leve, mas letra carregada de emoções, Swift mostra que Mad Woman é o fruto de uma libertação. Com palavras carregadas, somos levados à realidade dolorosa da personagem, mas através do toque suave, sabemos que, no final, a esperança ainda sobrevive.

 

Epiphany

Epiphany é o fruto de uma fonte cinematográfica, que, de início, se assemelha profundamente com trilhas sonoras vistas em filmes, mas logo se transforma em um desabafo. A música aborda a morte em sua forma mais natural e simples, trazendo o medo e a ansiedade que a cerca.


Betty

Betty é um dos três singles de Folklore e compõe a história de romance, presente no álbum. Com uma melodia que faz referência aos clássicos do folk, Taylor criou uma música leve, mas que possui profundidade em sua letra.


Peace

Com um estilo que flerta com o jazz, Peace é a música que menos conversa com o álbum, mas não deixa de ser emocionante e divertida.


Hoax

Com base em piano, Hoax traz uma questão ainda mais intimista para Folklore. A música aproxima o ouvinte do álbum ainda mais, deixando-os com anseio por mais do que foi apresentado.

 

The Lakes (Bonus Track)

Soando como uma poesia ansiosa, The Lakes é uma viagem em uma tragédia, que fecha Folklore com maestria. A música bônus faz ligação, mesmo que pequena, com o próximo álbum de Taylor, "The Tortured Poets Department", que será lançado em abril deste ano.

 

 

 
 
 
  • Foto do escritor: Nathalin Gorksa
    Nathalin Gorksa
  • 21 de mar. de 2024
  • 3 min de leitura

Autora sul-coreana retrata as dores e dificuldades de ser uma mulher no best-seller que abalou o patriarcado asiático



Imagem: Divulgação

Massacrada pela pressão de ser uma mulher, Kim Jiyoung está irritada, agindo de forma estranha e deprimida. Adquirindo comportamentos nunca apresentados durante seus 33 anos, ela passa a imitar a voz de mulheres: conhecidas e desconhecidas. Vivas e mortas.


Nascida na Coreia do Sul em 1982, Kim é de uma família de classe média, e é a segunda filha de seus pais. 


Com uma narrativa que trabalha as dificuldades de Kim de ser uma mulher, é apresentado para o leitor a falta de reconhecimento e afeto que a personagem recebia de seus pais desde criança. É nessa época, em que o patriarcado era fortemente presente, que a autora nos contextualiza em uma Coreia do Sul que mulheres renunciavam seus estudos para que os homens tivessem melhor acesso à educação. E assim acontece com Kim e todas as mulheres ao seu redor.


Ao entrar na divisão do livro intitulada "faculdade", nos deparamos com uma das comparações de maior peso moral na obra: Kim é um chiclete mastigado. Seu relacionamento anterior a transformou em objeto usado e descartado por um homem do exército.


O leitor logo descobre que o caminho da personagem não seria fácil. Ela se esforça, leva café para os colegas e se empenha, aparentemente mais do que qualquer um. É em um jantar empresarial, que é forçada a beber mais do que deseja, por um cliente, que insiste em assediá-la com comentários desrespeitosos. 


O casamento não foi diferente. A expectativa por filhos, em especial, meninos, sempre foi um tema presente da cultura sul-coreana e a autora contextualiza de forma profunda os embates e a pressão que Kim enfrenta em sua mente.


"O que você vai abrir mão?"            


Em uma abordagem que talvez seja a questão mais universal do livro até então, Cho nos apresenta Kim grávida, deixando seu trabalho para cuidar da filha. O marido, para apoiá-la, utiliza da clássica história "não pense no que vai abrir mão, mas sobre o significado e alegria de ser mãe". Ele promete que vai ajudá-la com a casa e com os cuidados da filha. 


Injustiça, dor e insignificância se fazem presentes e compartilhados com o leitor quando Kim percebe que sua vida mudaria, e a partir daquele momento seria realocada como dona de casa, esposa e mãe, mesmo que suas ambições fossem outras.


As violências da vida de Kim não param por aí. Afinal, que motivo uma mulher teria para reclamar quando temos acesso a máquinas de lavar e aspiradores de pó? E que mãe irresponsável deixaria seus filhos sob o cuidado de outras pessoas? Na verdade, todas gostaríamos de ser "parasitas" que vivem tomando café pelas ruas enquanto o marido trabalha.


O fator mais arrebatador da história é que o livro não é de Kim Jiyoung. É a história de todas as mulheres. Das que desistem de seus sonhos e são censuradas. Das que são violentadas física e intelectualmente. É a história de mulheres diminuídas por homens e das que são tratadas como chicletes mastigados e parasitas. E é isso que faz com que Kim Jiyoung seja todas as mulheres. 



A autora trabalha a dor de uma mulher desde o seu nascimento e não só apresenta a narrativa, como também inclui em seu livro notas de rodapés, com artigos que abordam e comprovam as denúncias citadas por Cho Nam-Joo. Talvez a autora utilize essa ferramenta, pois sabia o que viria no futuro: críticas abrasivas sobre seu livro, que abalou a estrutura patriarcal da Coreia do Sul. 



Imagem: The New York Times / Divulgação

A utilização das notas de rodapé sem o contexto histórico e político de seu país de origem pode causar estranheza nos leitores, mas ao decorrer das páginas, a autora prova seu ponto em se utilizar de inúmeras referências. Seu único erro talvez tenha sido a forma de inserção dos artigos, colocadas no meio de diálogos, os tornando meramente formais e os desassociando da história.


Cho Nam-Joo compensa, então, ao trazer mais uma surpresa ao livro: em 1982, o nome mais registrado da Coreia do Sul foi Kim Jiyoung. Fato que liga com maestria o fato de Kim personificar outras mulheres. Simplesmente porque ela é todas as mulheres.  

 
 
 
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