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Notícias, reviews e críticas sobre o mundo geek

A Geek Literária

  • Foto do escritor: Nathalin Gorska
    Nathalin Gorska
  • 20 de set. de 2024
  • 1 min de leitura

Primeiras imagens de Chopper no live-action de One Piece. Netflix / Divulgação
Primeira imagem de Chopper no live-action de One Piece. Netflix / Divulgação

Após enfrentar uma série de vazamentos sobre os novos integrantes do live-action de One Piece, a Netflix surpreendeu os fãs ao divulgar, ontem (19), as primeiras imagens de Tony Tony Chopper, um dos membros mais adorados do bando do Chapéu de Palha.



hito hito no mi - akuma no mi do chopper
Hito Hito no Mi

Havia uma grande expectativa entre os fãs do mangá e do anime sobre como seria a adaptação de Chopper, uma vez que o personagem é uma rena que comeu a Hito Hito no Mi (Akuma no Mi do tipo Zoan*) e passou então a ser uma rena-humana. Essa transformação, que mantém a fofura do personagem enquanto lhe confere habilidades únicas, é uma das características que mais encantam o público.


Chopper é introduzido no episódio 78, durante o arco da Ilha Drum, onde rapidamente conquista o coração dos espectadores com seu jeito inocente e engraçado e logo se torna um mugiwara**.



Tony Tony Chopper - Anime. Toei Animation / Reprodução
Tony Tony Chopper. Toei Animation / Reprodução

Tony também surpreende o público com a sua jornada, que não é apenas sobre se juntar ao grupo, mas também sobre crescimento pessoal, amizade e empatia. Além de sua aparência fofa, Chopper se destaca por suas habilidades médicas, desempenhando um papel vital nas aventuras do Chapéu de Palha.



*Este tipo de fruta permite ao usuário transformar-se em outras espécies e formas híbridas.

** Outro nome para os membros do bando do Chapéu de Palha.

 
 
 
  • Foto do escritor: Nathalin Gorska
    Nathalin Gorska
  • 19 de set. de 2024
  • 3 min de leitura

Lasar Segall nasceu em 1889, em Vilna, Lituânia, que na época era parte do Império Russo. De família judaica, viveu na pele a perseguição, o ódio e a dor de abandonar o seu lar e partir para outro lugar. Com influências impressionistas e expressionistas, Segall se mostrou um artista que, através de suas experiências - que em sua maioria, transformam as perspectivas de qualquer ser humano - molda a sua arte para representar o "invisível".


O Navio dos Emigrantes (1941, óleo sob tela)
O Navio dos Emigrantes (1941, óleo sobre tela)

É exatamente por meio da observação e retratação das diversas faces do sofrimento humano que Lasar Segall se tornou conhecido. Em O Navio dos Emigrantes (1941, óleo sobre tela), o artista trabalha um tema que, no Brasil, passou a crescer em 1850. Com a proibição do tráfego de pessoas em situação de escravidão, italianos, portugueses, espanhóis, alemães e outras nacionalidades passaram a chegar em terras brasileiras. O número cresceu ainda mais entre 1889 e 1930, quando mais de 3,5 milhões de estrangeiros ingressaram no país.


Mas a imigração no Brasil - assim como para outros territórios - não possui motivação única. A maior delas, sem dúvidas, é em decorrência de guerras, conflitos armados e repressão.


Segall conhecia e traduzia esses sofrimentos em sua arte. Seu quadro, que retrata os emigrantes em uma embarcação lotada, é cercado por ondas violentas, mas a aflição e os sentimentos de tensão, presentes na obra, são provenientes das pessoas. Com expressões apreensivas, cansadas e aterrorizadas, o autor imprime o que é perder tudo e embarcar em um mundo desconhecido. 


Eternos Caminhantes (1919, óleo sobre tela)
Eternos Caminhantes (1919, óleo sobre tela)

Em Eternos Caminhantes (1919, óleo sobre tela), os refugiados e migrantes também são retratados. A obra expressa a busca por paz, a expectativa de pertencer a algum lugar e o desejo de resistir. A realidade por trás da obra é tão profunda que, durante o regime de Hitler, a obra foi retirada do acervo do Museu da Cidade de Dresden em 1933 e depois, exposta na mostra 'Arte Degenerada', um marco do regime nazista contra a arte moderna, em 1937, em Munique.



Refugiados (1922, guache e aquarela)
Refugiados (1922, guache e aquarela)

Refugiados (1922, guache e aquarela) trabalha mais uma vez a questão do exílio. O tema não poderia ser mais atual nos dias de hoje. Segundo dados do Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), no final de 2023, cerca de 24,9 milhões de refugiados necessitavam de proteção internacional e a população apátrida global foi estimada em 4,4 milhões.




Pogrom (1947, óleo sobre tela)
Pogrom (1947, óleo sobre tela)

Em Pogrom (1947, óleo sobre tela), Segall traz mais um debate, esse, ainda mais entrelaçado com sua história. Na Rússia Czarista - sistema político russo que esteve em vigor entre 1547 e 1917 - era comum as perseguições destinadas a grupos étnicos e religiosos. Pessoas eram agredidas e assassinadas nesses episódios, principalmente judeus. Templos e casas eram destruídos. Nessa obra, Segall retrata um grupo de pessoas mortas, jogadas junto com objetos, como se tivessem sido descartadas. Vemos também um texto, escrito em hebraico, além de um pássaro, que voa no fundo. O artista, por meio de sua obra, critica os genocídios que acontecem diante de nossos olhos e que deixamos de perceber. 


Segall trabalha e critica a sociedade do seu tempo com muita maestria, mas também avisa e denuncia o que acontece nos dias de hoje.


Escutamos tantas vezes as palavras genocídio, sofrimento e guerra, que, talvez, para nós, perderam o real significado. Elas estão ligadas aos Yanomamis, no Brasil, e aos Mapuches, no Chile. Há anos, os povos tradicionais são assassinados diante dos nossos olhos. Palestina, Congo, Sudão, Tigray e Haiti sofrem com genocídios que disseminam sua cultura, população e anos de resistência. As lutas por territórios e controle continuam a tirar vidas e se tornam cada vez mais presente.


As obras de Lasar Segall traduzem os dias atuais como os noticiários, mas com o olhar e a sensibilidade de quem, em sua época, sofreu o que milhares de pessoas ainda estão acometidas. Segall deu à luz e revelou os invisíveis, mas será que a sociedade do século XXI aprendeu a enxergar? 




 
 
 
  • Foto do escritor: Nathalin Gorska
    Nathalin Gorska
  • 1 de set. de 2024
  • 2 min de leitura

Documentário de Isa Grinspum faz viagem à vida do revolucionário brasileiro


Capa do documentário Marighella
'Marighella' (2012) - Divulgação/Netflix

Lançado em 2012, o documentário "Marighella" foi inspirado pela curiosidade de Isa Grinspum e um segredo de infância: o tio Carlos, conhecido por suas visitas, era, na verdade, o militante político Carlos Marighella. 


De família italiana por parte de pai, e Malês, por parte de mãe, Carlos esteve desde sempre envolvido em questões sociais, mas começou a se engajar nos movimentos de forma mais intensa após entrar na faculdade de engenharia civil, a qual abandonou mais tarde para seguir na militância.


A narrativa da vida de Marighella é contada não só por documentos, mas também através de seus companheiros, que participaram das inúmeras articulações realizadas em defesa da democracia. Entre eles, Clara Charf, militante do partido comunista e companheira de Carlos. 


A diretora, que por vezes atua como narradora, leva o espectador a uma viagem investigativa sobre quem foi, de fato, Carlos Marighella, e para isso, cria uma linha cronológica que traça os pontos mais importantes da história de seu tio. Além disso, explora tanto os aspectos públicos quanto íntimos de sua existência. Marighella, um homem de múltiplas facetas – político, poeta, amante de samba e futebol – tornou-se a maior figura da resistência contra a ditadura militar brasileira.


Deputado pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro), Marighella é um dos precursores do Comunismo Baiano de 1930 e defendia que a revolução do Brasil não deveria ser feita seguindo modelos externos, mas sim com as características e essência do povo brasileiro.


Com base em jornais e documentos, "Marighella" também mostra a forma que os comunistas brasileiros eram retratados na década de 30 e, posteriormente, na ditadura civil-militar de 1964. Ao todo, passou 7 anos na prisão, e, além de contribuir com o lado teórico da revolução, Carlos escreveu cartas que serviram como material histórico, para desvendar as torturas que os "subversivos" eram acometidos.


É fato que o trabalho realizado por Isa Grinspum, fez o que a esquerda brasileira tentava há anos fazer: mostrar quem foi Carlos Marighella além da política. A narrativa é construída através de relatos íntimos e emocionantes sobre as ações de um líder, marido, amigo e pai. Taxado pela direita como terrorista, assim como na ditadura, quando era inimigo número um do regime, Marighella, ao mesmo tempo que ocupa um lugar de destaque, é também desconhecido por grande parte dos brasileiros. 


A produção de Grinspum se fez, e ainda faz necessária em um cenário de democracia frágil que assola o Brasil. Assim como em 1937, com Getúlio Vargas, ou em 1964, com a tomada do poder pelos militares, o Brasil continua sofrendo ataques à recente democracia. O oito de janeiro de 2023, serviu como um triste lembrete de que a população brasileira se esqueceu dos horrores realizados durante os golpes de Estado e os anos em que fomos privados de nossa liberdade. 


A história de Marighella, um homem comum que lutou pelo seu país, por suas ideologias e por seus sonhos, será, por anos, necessária em nossa sociedade, e Isa Grinspum sabia disso, assim como Antonio Candido, Carlos Augusto Marighella, Clara Charf e vários outros militantes políticos, que colaboraram para a produção do documentário.

 
 
 
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