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Violência doméstica, relacionamento abusivo e superação em "É Assim que Acaba"

  • Foto do escritor: Nathalin Gorska
    Nathalin Gorska
  • 12 de ago. de 2024
  • 2 min de leitura


Lily e Ryle de "É Assim que Acaba"
Divulgação / Sony Pictures

Inspirado no livro homônimo, escrito por Colleen Hoover, É Assim que Acaba, estrelado por Blake Lively e Justin Baldoni chegou neste fim de semana aos cinemas. O longa era um dos mais esperados para o segundo semestre de 2024, devido ao sucesso que Colleen possui nas redes sociais. 


A narrativa acompanha Lily, que precisa retornar a Boston após a morte de seu pai. Ao decidir ficar na cidade, a personagem se encontra, por acaso, com um neurocirurgião, Ryle, com o qual, meses depois, engata um romance. 


É a partir desse relacionamento que a história do livro se desenrola. Lily passa a ser vítima de violência doméstica, e em uma escolha acertada da direção, o filme aborda o relacionamento abusivo de uma maneira interessante: inicialmente, o roteiro faz parecer que as agressões foram acidentes, para, no final, revelar a verdadeira natureza dos acontecimentos.


Durante todo esse tempo, Ryle mantém comportamentos abusivos com sua parceira, mas a situação se agrava quando Lily reencontra um antigo amor, Atlas, que percebe o comportamento agressivo de Ryle e os machucados da personagem principal.


A partir do momento em que Ryle descobre a identidade de Atlas e que Lily ainda possui sentimentos pelo antigo parceiro, o neurocirurgião se torna ainda mais violento. O longa acerta ao mostrar a força de Lily frente ao relacionamento abusivo e às situações em que foi acometida, além do apoio incondicional de Atlas. No entanto, a produção peca ao não tratar a violência doméstica, ponto central da narrativa, com a profundidade que o tema necessita.


Segundo pesquisa do Observatório da Mulher, 48% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar. Dados também levantados pelo DataSenado em 2023 revelam que 30% das mulheres do país já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por um homem e que 79% dessas mulheres possuem renda de até dois salários mínimos.


A violência contra a mulher deve ser debatida, ainda mais em um contexto de crescimento do feminicídio no país. Com o lançamento do filme, era esperado um espaço maior para acolhimento e diálogo, fato que não obteve tamanha divulgação durante a press tour do longa.


Em contrapartida, o diretor e ator do filme, Justin Baldoni, que interpretou Ryle, divulga em suas redes sociais e também em entrevistas a importância de ajudar mulheres em situação de violência doméstica.


Além disso, outro problema afetou a história e o lançamento do filme: o filho de Colleen Hoover, Levi, foi acusado no Twitter de assédio sexual contra uma menor de idade, conforme detalhado pela suposta vítima em sua conta. Ela afirma que, ao tentar contatar Colleen, foi bloqueada das redes sociais. Apesar das acusações, Colleen não se pronunciou. As informações, compartilhadas nas redes sociais, tomaram grandes proporções e a comunidade literária passou a cobrar respostas sobre o caso, visto que uma parte da temática abordada pela autora em seus livros é pautada em assédio sexual e violência doméstica. A autora segue em silêncio.

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